segunda-feira, 27 de julho de 2009

A comunhão dos lucros.

Uma nova economia se espalha hoje em 180 países, entre eles o Brasil. Trata-se da economia de comunhão (EdC), movimento que reúne mais de 4 milhões de pessoas no mundo, sendo 200 mil brasileiros.
Gilvane Raposo participa de projeto que mudou a sua vida. São empresários, trabalhadores e cidadãos comuns, que exercitam a cultura do dar através da repartição dos lucros. O dinheiro arrecadado anualmente das empresas é depositado num fundo internacional. A partilha é feita prioritariamente com cerca de 11 mil famílias em situação de extrema pobreza. Os recursos são direcionados aos projetos com viés social, mas que estimulem a geração de emprego e renda. Contrariando a lógica do capitalismo, a EdC não visa o lucro pelo lucro. As empresas que aderem ao modelo têm foco no indivíduo. Exercem a comunhão no sentido de multiplicar para repartir. Transformar a vida das pessoas.

Como nasceu a ideia da EdC? Fundadora do movimento Focolares, Chiara Lubich, em visita a São Paulo, há 18 anos, observou o contraste das favelas com os arranha céus. Riqueza e pobreza convivendo lado a lado sem a perspectiva de mudança na pirâmide social. Reunida com integrantes do movimento, ela lançou a ideia de formar polos econômicos em torno dos centros de formação do Focolares, conhecidos como Mariápolis. Os empresários que atuam nesses polos devem se guiar pela cultura da partilha, reinvestir na própria empresa, e colocar os lucros em comunhão para ajudar os mais necessitados.

O primeiro polo criado da EdC foi o Spartaco, que fica no município de Cotia, a 4 km de São Paulo. Projetado para abrigar dez empresas, é administrado pela Empreendimentos, Serviços e Projetos Industriais (Espri). O capital social é formado por acionistas das empresas de todos os países. Atualmente a Espri conta com 3 mil acionistas e tem mais de R$ 2 milhões em conta. Antônio Carlos Pereira Cardoso, presidente do conselho da Espri, diz que para aderir ao movimento os empresários não têm que ser adeptos do Folcolares. "Podem aderir as empresas que acreditam no novo modelo deeconomia, baseado nos princípios da fraternidade e da solidariedade", resume.

O empresário pernambucano Antônio Agostinho Lopes, diretor da Topus-3, empresa de assessoria empresarial, é um dos adeptos da EdC desde o início do movimento. Ele destaca que a diferença primordial entre uma empresa tradicional e uma da economia de comunhão é a repartição dos três terços e a destinação dos lucros. "Quem define a forma de agir da empresa são os sócios e funcionários. O espírito não é apenas colocar a partilha dos lucros, mas o respeito às leis trabalhistas, pagar salários justos e respeitar os concorrentes", salienta.

Os recursos doados para o fundo são direcionados para projetos sociais nas áreas de educação, saúde, moradia, emprego e renda das regiões carentes. A ideia dos empresários da EdC não é fazer assistencialismo, mas dar o anzol para ensinar a pescar. Em Pernambuco existem 15 empresas na área metropolitana adeptas ao projeto da EdC.

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/2009/07/26/economia8_0.asp

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